"Eu quero" deve ser das frases que mais lhe sai. Descobriu que a perseverança poder ser uma arma muito poderosa... Pelo menos funcionou em duas ocasiões. Na primeira estávamos nos chineses e ele fez questão de ir ao corredor dos brinquedos. "Só vou ver o que tem". Mas o catraio deve ter olho ou faro porque descobriu bem lá no fundo do corredor uns brinquedos dos transformers que é a última paixão. Saímos da loja sem ele pedinchar, embora os tivesse namorado mais de meia hora. Engano meu pensar que a coisa estava controlada e que me podia sentir orgulhosa. Muito pelo contrário conseguiu fazer com que lá voltasse e lhe desse o robot - o bumblebee. E a abertura de um precedente que a todo o custo estamos a remediar... Uma semana depois voltou à carga.... Que havia lá outro robot e era só aquele. Como se tinha portado bem (já não me lembro exatamente os contornos) lá lhe demos com um veemente (que afinal) revelou-se pouco irrevogável) acabaram-se os robots. Mas como os miúdos de hoje em dia vêm armados de artimanha dias mais tarde começou a chorar baba e ranho a dizer que não era aquele que queria... que nem sequer queria um robot, que queria outro brinquedo... Tal foi o chinfrim e a nossa falta de paciência (começo a pensar que eles sentem quando estamos com o pavio curto) que lá fomos buscar mais um brinquedo ao estilo do homem das cavernas... Sentimos que a situação estava a sair do nosso controlo e agora sim foi um acabou-se. De há uns dias para cá volta e meia fala no homem de ferro. Nova paixão, nova exigência. Quando é que vou ter o Homem de Ferro? Tenho-lhe dito que tenho de pensar sobre isso... Mas não tenciono satisfazer este capricho, pelo menos em breve...
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23.11.15
entre desejos mutantes e constantes
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11.11.15
carta da mãe ao Pai Natal
Querido Pai Natal,
Já tenho a casa a abarrotar de brinquedos que embora sejam engraçados e úteis (uns mais do que outros) não têm grande uso... Além disso, já sei que o outro Pai Natal, o da escola, vai oferecer brinquedos e talvez haja um outro Pai Natal que tenha essa mesma ideia... Não me leves a mal nós gostamos de brinquedos. Ele gosta de brinquedos, sobretudo agora que já começa a querer escolher... Os preferidos? Puzzles, livros de histórias, legos... Mas também roupa, calçado, um simples miminho... Mas com muito amor.
Um, dois,... Vá três! Não muito mais do que isso. Podes falar com os outros Pais Natais?
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uma questão de lógica
Eu quero o cogumelo. Sabes porquê?
Não...
Porque é o Chefe.
Ai é?
É! Olha (aponta com o dedo) não vês aqui uma coroa!
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6.11.15
La otra carta
Vídeo velho, mensagem sempre atual.
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14.7.15
e não volta?
Para dizer a verdade já não sei como é que começou, nem o porquê.
Quando me apercebi o pai estava a dizer que a mãe ia para a Jamaica [hum... será que está a pensar oferecer-me umas férias surpresa?! Uma escapadinha?! não me parece...] O pipoca lançou um interrogativo "sempre, sempre". Que é como quem diz e não volta?
Porquê, queres que volte?
Sim, porque depois eu tenho muitas saudadinhas da mamã [viram este diminutivo em jeito de carinho e graxa?! está a ficar um especialista!!!]
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1.7.15
pode cair (mas temo-nos safado)
Eu sou uma prevaricadora no que toca às normas e regras de segurança com crianças. Normalmente ponho o pai sempre aos ais e aos suspiros quando o deixava sentado em cima de uma mesa que tinha no quarto dele e servia de muda fraldas, quando o deixo sentado na bancada da cozinha ou em cima do armário da casa de banho... Eu prefiro pensar que sou relaxada e ele consciente e obediente.
Assim, enquanto estava ali embrulhado na toalha conseguia ir ao armário, no lado oposto do quarto, buscar a roupa... Agora faço isso enquanto espera sentado no móvel da casa de banho. Não é sempre. Tem dias em que me lembro de fazer isso antes de lhe começar a dar banho. Noutros ainda me lembro a tempo e deixo-o na banheira enquanto ultimo os pormenores...
A bancada da cozinha, nessa é inevitável. Faço aqui a minha mea culpa. É um mau hábito meu. Seja para comer umas nozes e uns amendoins [isto sou eu a comprá-lo quando chega a casa já que muitas vezes me diz que os beijos andam caros...], seja para comer a sopa (já foi mais), seja para me ajudar a cozinhar [isto sou eu a enfarinhá-lo nas lides domésticas e a aproveitar-me da boa vontade dele]. Desde que não seja sopa. Já anda a tentar fintá-la há mais de um ano...
Digam lá se não dá mais margem de manobra?
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30.6.15
a mãe é maluca... agora em espanhol?
Dizem que as crianças têm mais facilidade em adquirir uma língua estrangeira quando são pequenas. Talvez. Talvez a curiosidade própria da idade ajude. Depois é só acrescentar a dose certa de estímulo e ter a sorte dele achar piada à brincadeira e alinhar no jogo.
Aproveitando-me dessa curiosidade e da minha paixão comecei na brincadeira a ensinar-lhe algumas palavritas em espanhol. Um dia destes deu com um livro em espanhol e quis que lhe contasse a história. Ele acha piada e parte-se a rir. Acho que gosta da sonoridade da língua. Ou isso ou das figuras da mãe a articular noutro idioma porque vira-se e diz fala em espanhol... ;-)) Oxalá o encanto dure.
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a minha quota-parte de mãe-galinha
A mim ataca-me quando ele fica uma noite aqui ou ali... Não tenho problemas em deixá-lo durante o dia, mas à noite começa a dar-me aquele aperto no estômago... [O amor é visceral] Talvez porque sei que ele prefere a cama e a casa dele para dormir... Talvez porque sei que é uma criança que, quando fora de casa, dá guerra e não adormece facilmente... Talvez porque me preocupo com o descanso (ou a falta dele) de quem fica com ele... Talvez remorsos, peso na consciência (essas coisas de pais)...
Tento que a minha quota-parte de mãe-galinha se fique por aí: pelo nervoso miudinho das noites fora de casa. Fora isso tento que seja uma criança independente, que não viva agarrado às saias da mãe (nem do pai), mas que saiba que estamos lá... Que tenha liberdade, que explore, que trave amizades, que pergunte, que resolva conflitos, que aprenda a gerir emoções, que cresça, que se fortaleça, que consolide a autoestima, que saiba dos perigos e das consequências e que tome decisões.
Querem partilhar a vossa quota-parte de mãe-galinha?
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22.6.15
atividades extra (sim ou não?)
Gosto de pensar que consigo ser equilibrada no que toca às escolhas que faço em relação ao pipoca. Às vezes duvido. Não tanto das decisões, mas do timing. O que estabeleci para mim foi um máximo de duas atividades extra, de preferência uma desportiva e uma artística.
Com pouco mais de um ano e sem contraindicações começou a adaptação ao meio aquático. Eu, ele e 30 minutos de muita cumplicidade. Corria tudo muito bem! Ele delirava com aquilo! Um ano e tal depois deixámos de ir porque o que antes era festa e diversão transformou-se em choro e apatia. Entendi que não devia forçá-lo... O que não queria é que ele desenvolvesse sentimentos de obrigação e ódio à piscina. Uns bons meses depois comecei a ir eu. E uns tantos meses depois começou a dizer que também queria ir. Voltei a inscrevê-lo a duas semanas de fazer 4 e para já está a correr muito bem. Quando está mais de um fim de semana sem ir faz questão de lamentar-se com um "agora nunca vamos, nunca vamos..."
Quando deixou a piscina inscrevi-o na Iniciação Musical! Por tudo que dizem da música: que ajuda na atenção, concentração, coordenação motora, desenvolvimento do sentido estético, etc, etc Também na música passou pela fase do "não gosto, não quero mais", mas não cheguei a desistir. Foi coisa de dois meses e passou. Como já é mais crescido vou tentar uma estratégia diferente: para o ano passá-lo das aulas de grupo para as individuais para ver que tal.
Às vezes acho que talvez tenha começado tudo cedo demais... Às vezes também penso que estas reações também podem acontecer aos 5 ou 6 anos... Vou experimentado, ele vai experimentado e vou vendo...
O que não tem mão minha é o gosto por cavalos. A primeira vez que se pôs em cima de um cavalo foi numa demonstração da GNR. Umas voltitas, nada de especial. No verão passado andou pela primeira vez a cavalo e este fim de semana repetiu umas 4 ou 5 vezes. (Tive mais medo eu lá em cima do que ele) Já queria um cavalo em casa e tudo... E não, não estou a pensar colocá-lo em aulas de equitação... Pelo menos enquanto o Senhor Fernando tiver a amabilidade de o ensinar. ; )
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17.6.15
descontrair entre sacholas e ancinhos
É engraçado vê-lo chegar a casa e começar logo a pedir para ir para o quintal trabalhar ou para regar as árvores, ou para jogar um bocadinho à bola... Começo a pensar que também ele precisa de descomprimir de um dia de creche. De fazer outras coisas, de respirar ar fresco, de sujar as mãos... A menos que tenhamos outros planos, não lhe nego a vontade: a de ir trabalhar (como ele diz) para o quintal. Claro que aquilo de trabalho tem muito pouco. Tanto faz bolos, como castelos, como planta uma ou outra erva... Lá fica muito entretido.
Eu gosto de o ver assim, a crescer em harmonia com a Natureza, com o mundo que o rodeia, a saber a origem e o nome das coisas, a respeitar os ritmos biológicos, a saber cuidar, a saber esperar pelo momento de colher a fruta das árvores, os legumes da horta...
Como descontraem os vossos pequenotes?
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nem só em alto-mar se encontram tesouros
Agora que os dias estão maiores, mais quentes e que o pimpolho aguenta melhor das canetas já podemos voltar às boas, velhas caminhadas (aquelas do tempo em que ainda éramos só nós os dois).
Ontem lá fomos nós explorar a área à procura de tesouros. Não havia maneira de aparecer nada... Acabou por agarrar em duas pinhas, mas nem satisfeito, nem convencido.
Uns passos mais à frente encontrou a varinha mágica que teve o poder de transformar o contentor do lixo num cavalo, o pai numa ovelha e a mãe num camelo. : )
Ontem lá fomos nós explorar a área à procura de tesouros. Não havia maneira de aparecer nada... Acabou por agarrar em duas pinhas, mas nem satisfeito, nem convencido.
Uns passos mais à frente encontrou a varinha mágica que teve o poder de transformar o contentor do lixo num cavalo, o pai numa ovelha e a mãe num camelo. : )
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o garotinho
Talvez não seja tão utópico assim tentar ser os melhores pais do mundo. Claro que nunca seremos os melhores pais para todo o mundo, mas o mundo todo não é nosso filho. Há as coisas básicas como os cuidados de higiene, saúde, alimentação..., mas depois há um EU para conhecer, amar, respeitar e ajudar a crescer.
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13.6.15
se alguém se pode queixar é ele
Às vezes queixa-se... Mas eu não lhe ligo.
Já disse por aqui que não gosto muito que se me peguem, nem colem, nem abracem, nem apertem...
Com o pipoca é grude pegado, é beijocas, é miminhos, é festinhas, são abraços gigantes, são massagens...
Hormonas de mãe, só pode!
E que dia fantabolástico para estar no ronrom. : )
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era uma vez...
Funciona quase como uma fórmula mágica para dar sinal de que vamos entrar numa outra dimensão, num outro mundo. Não é? Já disse que é uma das atividades preferidas do pequeno? Não? A paixão já não é de agora. Até já vinha na ficha de avaliação (se é que se pode dizer assim) como uma das atividades preferidas.
O Era uma vez - onde tudo é possível - é bem mais aliciante e interessante... Há peripécias, encontros e desencontros, amigos improváveis, animais e plantas que falam, coisas que afinal são o que não parecem, desfechos inesperados... Depois, todos sobrevivem e aprendem uma lição. Perfeito!
Mas uma história não é suficiente - e falo só da hora de o deitar - já sem contar com a(s) história(s) que ouviu durante o dia. Manha é o que é... sabe bem que assim adia (uns minutos que às vezes de transformam em horas) a hora de adormecer... E nós a desesperar. É que nos bons velhos tempos era coisa de dez a quinze minutos. Do género: história, beijinhos, bons sonhos e até amanhã... Feito!
Não, agora não... Agora também quer repetir cada frase. Parece que está a memorizar a história para depois apanhar-nos em falta e soltar o seu "não é assim, não sabes que não é assim" num tom de quem diz "se isto fosse um exame, era chumbo na certa".
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12.6.15
há os tios e depois há os titios
Não que a família seja pequena, nada disso. Até acho que o pipoca tem bastantes tios, esses com de direito consanguíneo. Seis de um lado e quatro do outro. Nada mau!
Depois há os titios que o são de coração. Que outro título havíamos de pôr aos amigos que são praticamente família? São os outros tios! Uns vemos com mais frequência, outros nem tanto. Uns estão mais perto, outros mais longe. Uns já são pais, outros ainda não. Ambos, porém, ajudam-nos a sê-lo.
Obrigada por pertenceram à família e por ajudarem o miúdo a crescer!
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delícia, delícia
Vou provar um, está bem?
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também quero (mas não tive coragem)
Estava a dar um jeito às minhas unhas - não se pode dizer que aquilo fosse fazer as unhas... trabalho inglório é certo. Só me posso dar ao luxo de as exibir ali perfeitas e impecáveis aí um dia ou dois. Já passei pela unhas de gel, mas decidi que havia coisas mais prioritárias em termos de orçamento familiar. É a vida, sempre a tomar decisões.
Não, hoje não vou falar da minha falta de coragem em fazer unhas de gel ou da minha pseudo forretice em querer economizar esses aeuros... Mas antes, das coisas de menino e menina porque a meio dispara ele:
- Para que é que estás a fazer isso?
- Para ficar mais bonita.
- Eu também quero ficar bonito. Pinta as minhas.
É o que dá ter um vaidoso em casa e não pensar na resposta que se dá. Mas na hora não me ocorreu mais nada... E aqui começou o meu discurso sexista de que isto é coisa de meninas e que os meninos não pintam as unhas - o que não é bem verdade. Certo? E ainda acrescentei que depois os meninos na escola viam aquilo e iam achar muito estranho.
Como ele não é de desistir à primeira ou, então, achou que a validade dos meus argumentos era questionável, ainda insistiu pintas aqui (nos pés) que assim ninguém vê. Eu ri-me e disse-lhe que depois no fim de semana lhe pintava as unhas. Não me ocorreu na hora, mas bem que lhe podia ter posto um verniz transparente.
Não me estranha nada que goste de pôr os meus arcos, ganchos e de exibir os sapatos cá por casa. É que as coisas de mulher têm muito mais piada sobretudo nesta idade do fazer de conta.
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11.6.15
assim de repente (ou talvez já tardasse em chegar)
A birra descomunal de chorar baba e ranho no meio do supermercado acabou por chegar. Pelos vistos só faltou mesmo atirar-se para o chão a espernear. [desta safei-me] Se o pai o tivesse deixado se calhar até tinha chegado a isso, mas agarrou nele e enfiou-o no carro... Pelo relato foi tipo Faroeste. Imagino! No caminho o diabrete ainda conseguiu a proeza de fazer sair do café ao lado uns quantos para ver que gritos eram aqueles. [É de mim ou os gritos e choro de birra são diabólicos?]
E tudo porquê? Embirrou que queria uma retroescavadora de brincar e não se contentou com um hoje não pode ser, o pai não tem dinheiro. Além disso, já tens muitos brinquedos em casa e em casa dos avós tens máquinas iguaizinhas. Mas eu quero! E contra os ímpetos das vontades não há lógica que vença.
Já lá vai mais de um mês e a cena custou-lhe duas bolas azuis no calendário, castigo no quarto e zero televisão. Foi um dia para esquecer e espero que aprenda rápido e a cena não se repita.
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palavras que falam por gestos
Na creche já só estava ele... Andava a passear pelos jardins... Tinha pedido uma flor para a mãe. Acabou por trazer duas.
Olha mãe, olha uma surpresa. São assim.
E que bem que ficam na jarra de madeira. ;-)
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um dos dias da criança
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