Palavras que tomara eu que fossem minhas...
Pedras no Caminho
Posso ter defeitos, viver ansioso
e ficar irritado algumas vezes mas
não esqueço de que a minha vida é a
maior empresa do mundo, e posso
evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale
a pena viver apesar de todos os
desafios, incompreensões e períodos
de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor
da própria história. É atravessar
desertos fora de si, mas ser capaz de
encontrar um oásis no recôndito da
sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã
pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios
sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma
crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir
um castelo…
Fernando Pessoa
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8.1.16
a minha vida é a maior empresa do mundo
11.11.15
são martinho
Hoje é dia de São Martinho.
Da rica castanha assada,
do pão e do vinho.
Haverá maior doçura?
Reza a tradição
que estes são dias de verão
de escrevinhar umas quadras
que podem ser de amor ou de diabruras.
Ao som da concertina
Entre saltos à fogueira
Contava-se a história
Da riqueza verdadeira.
Da rica castanha assada,
do pão e do vinho.
Haverá maior doçura?
Reza a tradição
que estes são dias de verão
de escrevinhar umas quadras
que podem ser de amor ou de diabruras.
Ao som da concertina
Entre saltos à fogueira
Contava-se a história
Da riqueza verdadeira.
23.6.15
noite de S. João
Hoje vou pró São João
Sem arco, nem balão
Mas contigo pela mão
Comer sardinha e pão!
Hoje vou pró S. João
Sem alho-porro, nem martelo
Contigo no coração
Não há maior folião!
Hoje vou pró S. João
Sem manjerico, nem fogueira
Com boa disposição
Haja fogo à maneira!
Sem arco, nem balão
Mas contigo pela mão
Comer sardinha e pão!
Hoje vou pró S. João
Sem alho-porro, nem martelo
Contigo no coração
Não há maior folião!
Hoje vou pró S. João
Sem manjerico, nem fogueira
Com boa disposição
Haja fogo à maneira!
15.6.15
vêm e vão
Vêm e vão. Passam.
Crêem saber o que vêem
Como não?
Assim vêm e vão.
Crêem ver o que sabem.
Que mais, senão.
Reconfortantes enganos.
Vêm e vão. Passam.
13.6.15
a língua que há em nós
Se eu tivesse nascido noutro país, seria diferente. Disso não tenho dúvidas.
Mas como vivo, experimento, sinto, aspiro, lamento, cresço e aprendo em português não podia deixar de assinalar a semana que contou com o 10 de junho e o dia do nascimento de Fernando Pessoa.
Não Tenho Pressa
Não tenho pressa. Pressa de quê?
Não têm pressa o sol e a lua: estão
certos.
Ter pressa é crer que a gente passa
adiante das pernas,
Ou que, dando um pulo, salta por cima da
sombra.
Não; não sei ter pressa.
Se estendo o braço, chego exactamente
aonde o meu braço chega –
Nem um centímetro mais longe.
Toco só onde toco, não aonde penso.
Só me posso sentar aonde estou.
E isto faz rir como todas as verdades
absolutamente verdadeiras,
Mas o que faz rir a valer é que nós
pensamos sempre noutra coisa,
E vivemos vadios da nossa realidade.
E estamos sempre fora dela porque
estamos aqui.
Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
7.4.15
Em cinco sentidos
Em dias claros,
Haja orquestra!
Afinada, ritmada,
Ou até descompassada.
Em dias cinzentos,
Haja movimento!
Pensado, sentido.
Ou até fingido.
Em dias de sol
Haja gargalhadas!
Límpidas, estridentes.
Ou até encenadas.
Em dias de chuviscos
Haja rabiscos!
Os de agora, concebidos.
Os de antes, resgatados.
Em dias banais,
Faz a festa!
Inspira, faz, agradece, cresce,
Sê mais.
Haja orquestra!
Afinada, ritmada,
Ou até descompassada.
Em dias cinzentos,
Haja movimento!
Pensado, sentido.
Ou até fingido.
Em dias de sol
Haja gargalhadas!
Límpidas, estridentes.
Ou até encenadas.
Em dias de chuviscos
Haja rabiscos!
Os de agora, concebidos.
Os de antes, resgatados.
Em dias banais,
Faz a festa!
Inspira, faz, agradece, cresce,
Sê mais.
26.3.15
Lá fora, cá dentro
Lá fora, cá dentro
Vai vento...
ideias como folhas embaladas
à rebelia da vontade
à mercê da corrente
Cá dentro, lá fora
o pensar pede serenar
mas, vai vento.
Lá fora, cá dentro.
Vai vento...
ideias como folhas embaladas
à rebelia da vontade
à mercê da corrente
Cá dentro, lá fora
o pensar pede serenar
mas, vai vento.
Lá fora, cá dentro.
25.2.15
O pirata
Bravio.
Dente cor de prata.
Barba rija.
Será um pirata?
Destemido.
Cabeleira farta,
Olhar protegido.
Será um pirata?
Aguerrido.
Brinco de lata,
Espadachim atrevido.
Será um pirata?
Aventureiro,
Voz de negociata.
Ave por companheiro.
Será um pirata?
Ardiloso,
Sob uma bota solteira,
Noutra um pau à maneira.
Afinal, de quem se trata?
É um pirata!
Filipa
Etiquetas:
Desenvolvimento Infantil,
Embalar a Rimar,
Poesia
19.2.15
O elefante

Que queria ser diferente
Ser valente e gracioso
Como toda a gente!
Era uma vez um elefante
Que queria ser diferente
Ser ágil e talentoso
Como toda a gente!
Era uma vez um elefante
Que queria ser diferente
Ser galante e jeitoso
Como toda a gente!
Era uma vez um elefante
Que queria ser diferente
Ser mais, sem ser outrem
Como toda a gente!
Era uma vez um elefante
Paciente e contente
Que um dia quis ser diferente
Aliás, como toda a gente!
30.12.14
Somos aqui e agora
Sê aqui. Agora.
Sejamos.
calem as palavras.
emudeçam as vozes.
Sejamos.
silenciem os pensamentos.
acalmem as ânsias.
Sejamos.
sosseguem os ruídos.
confluam os olhares.
Sejamos.
Desenha aqui. Agora.
O esboço imperfeito da nossa perfeição.
O amanhã incerto, mas não deserto.
Somos aqui e agora.
Sejamos.
calem as palavras.
emudeçam as vozes.
Sejamos.
silenciem os pensamentos.
acalmem as ânsias.
Sejamos.
sosseguem os ruídos.
confluam os olhares.
Sejamos.
Desenha aqui. Agora.
O esboço imperfeito da nossa perfeição.
O amanhã incerto, mas não deserto.
Somos aqui e agora.
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